A MRV&CO encerrou o segundo trimestre de 2026 com um prejuízo líquido de R$ 645,8 milhões. O resultado negativo, contudo, concentrou-se quase inteiramente na Resia, subsidiária da empresa nos Estados Unidos, que enfrentou baixas contábeis significativas durante um processo de venda de ativos. Apesar desse cenário no exterior, as operações brasileiras da companhia apresentaram um desempenho positivo que sinaliza uma mudança de trajetória.
Enquanto a unidade americana registrou uma perda de R$ 647,3 milhões, a MRV Incorporação, responsável pelas construções no Brasil, alcançou um lucro líquido ajustado de R$ 155 milhões. Esse valor representa uma alta de 28,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O termo “baixas contábeis” refere-se ao ajuste no valor de bens da empresa nos balanços financeiros, uma medida adotada como parte da estratégia de acelerar a reciclagem de ativos nos Estados Unidos.
Os dados da companhia revelam que a operação brasileira atingiu uma margem bruta de 31,2%, o maior nível registrado nos últimos sete anos. Esse resultado é reflexo da capacidade da empresa em reajustar o preço dos imóveis acompanhando a inflação, enquanto o custo da construção civil avançou em um ritmo menor. Com uma receita operacional líquida consolidada de R$ 3 bilhões, a empresa também gerou R$ 467 milhões em caixa ao longo do primeiro semestre deste ano.
Para o futuro, a meta da organização é reduzir a dívida líquida consolidada em cerca de R$ 1,5 bilhão através da venda estratégica de imóveis e empreendimentos no mercado americano. A empresa segue investindo na iniciativa chamada “Construction Powerhouse”, que busca tornar a construção civil mais eficiente e industrializada no Brasil. O cenário atual aponta para uma busca por maior rentabilidade operacional e controle rigoroso sobre os custos de execução das obras.

