O Brasil tem registrado avanços significativos no atendimento odontológico nas últimas décadas, reduzindo índices históricos de perda dentária na população. Em entrevista recente, o cirurgião-dentista Augusto Henrique analisou como as políticas públicas foram essenciais para transformar esse cenário, destacando a transição do país para um modelo de maior acesso, embora ainda existam importantes desafios a serem superados para garantir que todos recebam cuidados adequados.
Historicamente, o acesso ao tratamento dentário era restrito, sendo um luxo para quem possuía condições financeiras. Antes dos anos 2000, essa escassez levava muitas pessoas a buscarem serviços clandestinos, que ofereciam riscos graves à saúde. A implementação de iniciativas voltadas à saúde bucal, como o programa Brasil Sorridente, iniciado em 2004, foi um marco fundamental para democratizar o atendimento via Sistema Único de Saúde (SUS), criado pela Constituição Federal de 1988.
O impacto dessas mudanças é refletido na melhora dos indicadores de saúde pública. Nos anos 80, o Brasil chegou a ser rotulado como o “país dos desdentados”, dado que um levantamento de 1986 apontava que cerca de 66% da população adulta já havia perdido todos os dentes. Esse panorama começou a mudar com a ampliação das ações preventivas e a estruturação de serviços públicos de odontologia, que focaram em reduzir a exclusão social no tratamento de doenças bucais.
Atualmente, o desafio reside em superar a desigualdade na distribuição dos profissionais e na oferta de serviços, além de vencer a cultura de procurar o dentista apenas diante de dores agudas. A recomendação dos especialistas para o futuro é fortalecer a prevenção por meio da higiene diária, do uso de fio dental e da manutenção de consultas periódicas. A continuidade dos investimentos em saúde pública permanece sendo a estratégia principal para consolidar o acesso universal ao cuidado odontológico no país.

