A implementação de um ajuste fiscal consistente pelo próximo governo tem o potencial de movimentar R$ 270,2 bilhões na bolsa brasileira, segundo projeções do Itaú BBA. A medida é vista por especialistas como o caminho para controlar a dívida pública, reduzir a pressão inflacionária e permitir uma queda sustentável na taxa básica de juros, a Selic, o que tornaria o mercado de ações mais atrativo.
O chamado ajuste fiscal consiste no controle dos gastos públicos para equilibrar as contas do país. Ao adotar essa postura, o governo envia um sinal de segurança aos investidores, que passam a exigir juros menores para financiar a União. Com a redução da Selic, o capital tende a migrar da renda fixa, que perde rendimento, para a renda variável, como a bolsa de valores, beneficiando o mercado financeiro nacional.
De acordo com o banco, essa injeção de recursos viria de fontes distintas: 55% seriam aportados por investidores locais e 45% (cerca de R$ 121,6 bilhões) por estrangeiros. O cálculo para o capital internacional baseia-se na participação brasileira no MSCI Emerging Markets Index, um índice global que reúne empresas de países emergentes. Cada ganho de um ponto percentual na fatia do Brasil nesse indicador poderia atrair R$ 79,3 bilhões em novos investimentos externos.
Esse índice é uma referência fundamental para grandes fundos globais e gestoras internacionais, como a BlackRock, que utilizam ETFs (fundos que replicam o desempenho de indicadores) para alocar bilhões ao redor do mundo. A expectativa é que um cenário de maior equilíbrio fiscal brasileiro fortaleça a posição do país no mercado global, consolidando esse fluxo de capitais e influenciando diretamente o desempenho das empresas listadas na bolsa.
