A Ânima Educação anunciou, nesta semana, a recompra da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas) por um valor de R$ 410 milhões. A transação será realizada em duas parcelas, sendo a primeira de R$ 240 milhões no fechamento do negócio e o restante previsto para dezembro de 2029, podendo sofrer ajustes conforme o desempenho futuro da instituição. A operação coloca a FMU de volta ao controle da companhia após um período sob a gestão do fundo americano Farallon.
A movimentação despertou questionamentos entre investidores sobre a estratégia financeira da Ânima. Analistas do mercado consideram o valor da aquisição elevado, baseando-se em indicadores como o múltiplo de EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). A negociação também trouxe à tona discussões sobre uma cláusula de “put option” — um contrato que garante a opção de venda — firmada em 2020, embora a empresa negue qualquer vínculo desse acordo com o processo de aquisição da Laureate no Brasil.
O histórico da FMU nos últimos anos foi marcado por uma série de mudanças de comando e dificuldades financeiras. A universidade enfrenta atualmente um processo de recuperação judicial para renegociar cerca de R$ 130 milhões em dívidas. Além do passivo financeiro, a Ânima herda disputas arbitrais complexas relacionadas aos aluguéis dos campi, que envolvem os antigos proprietários, a família Alves da Silva. A pendência, que corre sob sigilo, envolve cobranças milionárias que remontam a contratos estabelecidos após a venda da instituição em 2013.
Com essa aquisição, a Ânima assume o controle de uma instituição com mais de 50 mil alunos, em um momento em que a empresa buscava focar na redução de suas dívidas e na geração de caixa. O desfecho da recuperação judicial da FMU e o resultado das arbitragens sobre os imóveis serão determinantes para entender os impactos reais da operação. Por ora, o mercado segue atento às próximas etapas da integração e como o passivo herdado afetará os resultados da companhia a longo prazo.
