A região de Aragão, no norte da Espanha, tornou-se um importante centro tecnológico na Europa devido à instalação de grandes data centers. Empresas como Amazon Web Services (AWS) e Microsoft anunciaram investimentos bilionários, que somam cerca de 80 bilhões de euros na área. Enquanto o governo local destaca a criação de empregos e o desenvolvimento econômico, o impacto para os moradores da região tem gerado debates e desafios.
O principal atrativo para as gigantes da tecnologia é o custo da eletricidade, que na Espanha é cerca de 30% mais barata do que a média europeia. Para viabilizar a expansão, o governo regional utiliza o Proyecto de Interés General de Aragón (PIGA), uma legislação de 2015 que acelera a aprovação de projetos, simplifica processos burocráticos e oferece benefícios fiscais para empresas que se instalam no território.
A ferramenta jurídica também permite o uso de desapropriações forçadas de terras em casos onde não há acordo direto com os proprietários dos terrenos. O mecanismo é utilizado para garantir que grandes infraestruturas de dados, essenciais para o funcionamento da inteligência artificial e serviços em nuvem, sejam construídas sem atrasos causados por impasses nas negociações imobiliárias.
O cenário coloca em evidência os impactos locais decorrentes da necessidade global de mais espaço físico para a infraestrutura digital. A continuidade da expansão dos data centers depende agora do equilíbrio entre os investimentos tecnológicos previstos para a região e as questões fundiárias que afetam diretamente a comunidade local e seus proprietários de terras.

