A bolsa brasileira voltou a registrar uma oferta pública inicial (IPO) após quase cinco anos de hiato, com a estreia da Compass no mercado de capitais. A operação, que levantou R$ 2,825 bilhões ao preço de R$ 28 por ação, marca um momento simbólico para o setor de infraestrutura e gás natural no país. O movimento ocorre em um cenário global marcado por maior cautela, onde investidores buscam empresas com maior resiliência diante de juros elevados e incertezas políticas.
Historicamente, a taxa básica de juros (Selic) em patamares de dois dígitos tem sido um desafio para o mercado de ações no Brasil, dificultando o acesso ao crédito e encarecendo o custo de capital. O IPO da Compass, controlada pelo grupo Cosan, quebrou um longo período de ausência de novos entrantes na B3. A abertura de capital aconteceu mesmo em meio a um ambiente de instabilidade geopolítica e volatilidade nos mercados internacionais, fatores que historicamente desencorajam novas ofertas de ações.
Dados do relatório EY Global IPO Trends 2025 indicam que o mercado global de ofertas está passando por uma mudança de perfil. Embora o número total de IPOs tenha recuado no primeiro trimestre de 2026, houve uma concentração maior de capital em empresas de maior porte. Especialistas apontam que a era de aberturas de capital generalizadas deu lugar a uma fase de alta seletividade, onde investidores priorizam setores estratégicos, como tecnologia, saúde e defesa, em detrimento de outros segmentos.
Para o futuro, a tendência é que o mercado de capitais brasileiro continue sendo impactado por uma contração estrutural, evidenciada pelo elevado número de ofertas públicas de aquisição (OPAs) para fechamento de capital nos últimos anos. Especialistas avaliam que empresas que desejam entrar na bolsa precisarão estar cada vez mais preparadas internamente. Enquanto a instabilidade global persiste, a preparação rigorosa será o principal diferencial para aquelas organizações que pretendem captar recursos no ambiente público.
