O Órgão Especial do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) aceitou, nesta quarta-feira (27), uma denúncia apresentada pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB). A decisão torna réus o Padre Egídio de Carvalho, os ex-secretários estaduais Pollyanna Werton e Tibério Limeira, além de outras 14 pessoas, por suspeita de envolvimento em um esquema de desvio de recursos públicos no Hospital Padre Zé.
A acusação, formulada pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), detalha um suposto sistema de pagamento de propinas, identificado como “devoluções”. Segundo os investigadores, empresas contratadas para fornecer itens ao hospital e refeições para o programa “Prato Cheio” repassavam parte dos valores indevidamente. O relator do caso, desembargador Márcio Murilo, afirmou que existem provas robustas, incluindo extratos bancários, para sustentar a abertura do processo.
Dados da denúncia apontam que os ex-secretários teriam sido beneficiados financeiramente pelo esquema. Tibério Limeira é citado por um suposto recebimento de R$ 50 mil, enquanto Pollyanna Werton teria sido favorecida com R$ 70 mil. As investigações abrangem crimes como lavagem de dinheiro, estelionato, desvio de finalidade e apropriação indébita de verbas que deveriam ser destinadas à saúde e assistência social sob gestão do Padre Egídio.
Com o recebimento da denúncia, o caso entra agora na fase de instrução processual, onde as partes poderão apresentar suas defesas. Os advogados de defesa de diversos acusados, incluindo o Padre Egídio, Pollyanna Werton, Jannyne Dantas e Amanda Duarte, manifestaram que o momento é de natureza técnica e que buscam provar a inocência de seus clientes ou contestar a legalidade do rito. Tibério Limeira não se manifestou até o momento, enquanto os demais citados não foram localizados.

