Cajazeiras, no Sertão da Paraíba, relembrou nesta segunda-feira (28) o centenário da invasão ocorrida em 1926, liderada pelo cangaceiro Sabino Gomes. O evento, realizado no Casarão Epifânio Sobreira, promoveu debates e o lançamento de obras literárias que buscam resgatar a memória histórica desse episódio marcante para a região. Entre as atividades, destacou-se a exibição de uma produção audiovisual e o lançamento de livros assinados pela pesquisadora Fabiana Agra e pela escritora Nadja Claudino.
Durante o seminário, a pesquisadora Fabiana Agra explicou que a invasão não foi um evento isolado, mas parte de um cenário político complexo no Nordeste. Segundo ela, o fortalecimento dos bandos de cangaço naquele período estava diretamente relacionado à passagem da Coluna Prestes pelo interior do país. Esse movimento teria facilitado o acesso dos cangaceiros a armamentos, munições e fardamentos, alterando a dinâmica das forças que circulavam pelo sertão na década de 1920.
O debate reforçou que a importância estratégica de Cajazeiras, considerada uma das cidades mais influentes da Paraíba na época, tornou-a um ponto central para os registros históricos. A autora também destacou a biografia de Sabino Gomes, um dos homens de confiança de Lampião, cujas conexões com a sociedade local da época ainda são objeto de investigação. A presença de Sabino na cidade, antes do ataque, levanta questões sobre as motivações e os vínculos pessoais que existiam por trás da investida contra o município.
O encontro, que reuniu nomes como Nadja Claudino e o professor Dr. Wescley Rodrigues, reforça o papel da academia na preservação da memória sertaneja. Com o lançamento das obras “Sabino Gomes: O Carcará de Lampião”, “A Marcha do Cangaço” e “Maria Bonita: Entre o Punhal e o Afeto”, novos detalhes sobre o banditismo e seu impacto social seguem sendo compartilhados com o público, mantendo viva a análise histórica sobre a ocupação do território paraibano.
