Uma nova tarifa de importação de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entrou em vigor na madrugada desta quarta-feira, 22. A medida impacta diretamente 2.375 itens que somaram US$ 7,2 bilhões em exportações no ano de 2025. O cenário gera preocupações no setor produtivo nacional, uma vez que a taxação afeta cerca de 19,2% das exportações do país para o mercado norte-americano.
A aplicação da taxa baseia-se na Seção 301 da legislação comercial dos EUA. Segundo o governo americano, a decisão foi tomada após uma investigação concluir que o Brasil adotaria práticas consideradas “não razoáveis” no comércio bilateral, incluindo questões relacionadas ao uso do Pix, à tributação do etanol e a críticas sobre o combate ao desmatamento e à corrupção. O governo brasileiro, por sua vez, contesta as alegações e aponta falta de abertura para o diálogo por parte das autoridades dos EUA.
Os estados de Santa Catarina e São Paulo são os mais atingidos, concentrando 52% do total de mercadorias afetadas, como açúcar, etanol, pneus e peças de motores. Apesar da abrangência da medida, o governo americano manteve isenções para diversos setores, como café, couro, carne, madeira e mel. Paralelamente, existe o risco de uma nova tarifa adicional de 12,5% ser imposta em breve, caso avancem acusações sobre suposto trabalho forçado no Brasil, algo que o país nega veementemente.
Especialistas avaliam que o impacto econômico atual pode ser inferior ao observado no ano passado, quando as tarifas chegaram a 50%. A expectativa é que o mercado brasileiro consiga buscar novas rotas de exportação para realocar os produtos, minimizando perdas. Enquanto as tensões comerciais permanecem, autoridades americanas indicaram que ainda pode haver espaço para futuras negociações, embora não haja prazos definidos para novos acordos entre os dois países.
