O governo dos Estados Unidos deu início, nesta segunda-feira (6), a uma série de audiências públicas em Washington para debater a possível imposição de novas tarifas ao Brasil. O processo, conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio (USTR), avalia taxas de até 40% sobre produtos brasileiros, fundamentando-se em uma investigação da Seção 301, que apura supostas práticas comerciais desleais por parte do país.
Durante o evento, que segue até terça-feira, 81 inscritos apresentarão argumentos contra ou a favor da medida em 14 painéis distintos. Representantes de diversos setores, como o agronegócio (café, carnes e etanol) e a indústria, buscam discutir os impactos das barreiras. Empresas como a Bauducco, por exemplo, solicitam isenções específicas para itens de panificação, destacando investimentos produtivos já realizados em solo norte-americano.
O debate também envolve grandes corporações estrangeiras e nacionais que temem prejuízos em suas cadeias de suprimentos. Enquanto alguns setores dos EUA defendem a taxação como forma de equilibrar a concorrência, empresas como a Tesla alertam para os efeitos negativos na fabricação local. O cenário inclui ainda manifestações políticas, como a do senador Flávio Bolsonaro, que defende o adiamento das sanções para evitar desdobramentos nas relações diplomáticas.
A decisão final sobre a aplicação das tarifas, prevista para ocorrer até o dia 15 de julho, possui um forte componente político, uma vez que o USTR é subordinado à Casa Branca. Até lá, o cronograma segue com os depoimentos finais e possíveis negociações de bastidores entre os governos, que buscam definir o futuro da relação comercial entre as duas nações.
