Durante negociações ocorridas em janeiro deste ano, o governo dos Estados Unidos solicitou ao Brasil que restringisse o acesso de empresas consideradas “não orientadas pelo mercado” às reservas nacionais de minerais críticos e terras raras. A interpretação de integrantes do governo brasileiro é que o pedido tinha como objetivo principal limitar a participação da China, principal competidor dos americanos na exploração desses recursos estratégicos.
As terras raras são um conjunto de 17 elementos essenciais para a fabricação de tecnologias modernas, como baterias, chips e smartphones, sendo fundamentais para a transição energética global. Atualmente, a China detém a maior reserva mundial, com 49% do total, enquanto o Brasil ocupa a segunda posição, possuindo 23% das reservas mapeadas no planeta. Segundo relatos de fontes ligadas ao governo brasileiro, a proposta americana não veio acompanhada de ofertas de contrapartida para o desenvolvimento industrial local.
Além da questão dos minerais, as autoridades dos EUA, lideradas pelo representante comercial Jamieson Greer, exigiram que o Brasil zerasse as tarifas de importação para diversos produtos industriais americanos sem compensações. Entre os itens citados nas demandas estavam veículos, aviões, componentes aeroespaciais, além de produtos químicos e equipamentos elétricos. O governo brasileiro rejeitou as imposições, reiterando que os recursos nacionais pertencem ao povo brasileiro.
O cenário de tensões comerciais se mantém, com o governo brasileiro defendendo sua soberania sobre os minerais e a autonomia de suas políticas internas, como o sistema de pagamentos Pix. Em declaração recente, o ministro Márcio Elias Rosa confirmou que as solicitações foram apresentadas durante as rodadas de negociação, mas reforçou que o Brasil não aceitou as condições impostas. O desfecho dessas tratativas reflete a complexa disputa geopolítica e econômica pelo controle de insumos vitais para a indústria tecnológica.
