O Departamento de Estado dos Estados Unidos revogou, nesta terça-feira (4), o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A decisão ocorre em um momento de acentuado desgaste diplomático entre os dois países, envolvendo disputas comerciais e impasses sobre a nomeação de novos representantes diplomáticos, mas não implica na expulsão imediata da embaixadora.
Segundo autoridades americanas, a medida foi tomada porque o governo brasileiro ainda não concedeu o “agrément” — uma autorização formal necessária — para a nomeação de Daniel “Danny” Perez como embaixador dos EUA em Brasília, indicado por Donald Trump. O governo brasileiro, por sua vez, já previa possíveis sanções após ter negado vistos para dois funcionários do Departamento de Estado americano que pretendiam realizar reuniões no Brasil com o senador Flávio Bolsonaro para tratar de temas eleitorais.
O impasse também traz consequências econômicas significativas, com a imposição de novas tarifas americanas sobre produtos brasileiros, que podem atingir quase metade das exportações nacionais destinadas aos EUA. O cenário de tensão inclui a possibilidade de novas sanções contra autoridades brasileiras, como o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, sob a aplicação da Lei Magnitsky, que bloqueia ativos financeiros e veda a concessão de vistos.
Apesar da gravidade do momento, funcionários do governo americano indicaram que o visto de Maria Luiza Viotti pode ser restabelecido caso as divergências sejam solucionadas. O governo brasileiro mantém o monitoramento da situação enquanto Washington sinaliza que prefere evitar medidas recíprocas mais severas, dependendo do andamento das negociações diplomáticas entre as duas nações nos próximos dias.

