O debate sobre o possível fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais traz preocupações sobre o futuro operacional de empresas brasileiras. O empresário Lásaro do Carmo Junior, ex-vice-presidente do Grupo Silvio Santos, alerta que essa mudança pode elevar a folha de pagamento em pelo menos 10%, exigindo que gestores planejem estratégias para manter a viabilidade do negócio.
O principal desafio está no setor varejista e em restaurantes, onde as margens de lucro costumam ser mais apertadas. Lásaro do Carmo explica que a discussão não deve girar apenas em torno do aumento dos encargos trabalhistas. Ele defende que os proprietários analisem com cuidado se a redução do horário de funcionamento das lojas, medida pensada como forma de economizar, não resultará em uma queda de faturamento superior ao custo de novas contratações.
Para o especialista, o cálculo estratégico é fundamental antes de qualquer decisão. Ele sugere que as empresas avaliem quantos funcionários são necessários para manter a operação plena e quanto cada hora de atendimento contribui para o resultado financeiro total. A ideia é evitar que a economia feita com a folha de salários culmine na perda de vendas em momentos estratégicos, como no início da noite, quando muitos estabelecimentos ainda possuem fluxo de clientes.
Diante desse cenário, a recomendação para os empresários é revisar detalhadamente suas escalas de trabalho, despesas operacionais e contratos com fornecedores. A decisão de contratar mais pessoal ou reduzir o expediente deve considerar, acima de tudo, o impacto no faturamento. O objetivo central é encontrar um equilíbrio que sustente a operação sem comprometer a saúde financeira do negócio no longo prazo.

