A recente aprovação pelo Senado da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais trouxe um alerta importante para o setor imobiliário brasileiro. Segundo um estudo realizado pela Associação Brasileira das Incorporadoras (Abrainc) em parceria com a consultoria Ecconit, a mudança na carga horária pode gerar um impacto de 5,5% no preço final dos imóveis, além de restringir o acesso ao crédito para milhões de brasileiros.
O principal ponto de preocupação da entidade está no aumento dos custos de produção. Como a construção civil é um setor que depende intensamente de mão de obra presencial, a redução da jornada, mantendo-se os salários integrais, pode forçar a contratação de mais profissionais para manter o ritmo das obras. Esse cenário gera um desafio adicional para as empresas, que já lidam com a escassez de trabalhadores qualificados no mercado.
Dados do levantamento indicam que, caso esse aumento nos custos de construção seja integralmente repassado ao consumidor, até 2,5 milhões de famílias poderiam ficar sem condições de contratar financiamento habitacional. O impacto seria mais severo em projetos voltados para a habitação de baixa renda, onde o valor final do imóvel é limitado pelo orçamento das famílias e pelas regras rígidas dos programas de crédito.
Diante deste cenário, a Abrainc ressalta que as particularidades dos ciclos de incorporação imobiliária precisam ser consideradas na transição para a nova jornada. A entidade aponta que a medida pressiona tanto o preço das unidades quanto os prazos de entrega, especialmente em projetos que já estão em curso. O mercado agora observa como as empresas adaptarão seus modelos produtivos para equilibrar a nova legislação com a viabilidade econômica dos empreendimentos.

