A inteligência artificial (IA) tem se tornado um fator decisivo para o crescimento da economia mundial. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), os investimentos voltados para a infraestrutura da tecnologia já contribuem para sustentar a expansão econômica global, que apresenta projeções de crescimento de 3,1% para 2026 e 3,4% para 2027, superando estimativas anteriores.
O FMI explica que o impacto da IA ocorre em duas fases distintas. Inicialmente, a construção de data centers e a aquisição de equipamentos elevam a demanda por serviços e energia, movimentando o mercado. Em um segundo momento, espera-se que a tecnologia impulsione a produtividade das empresas. A diretora-gerente do Fundo, Kristalina Georgieva, estima que a IA possa adicionar entre 0,1 e 0,8 ponto percentual ao crescimento potencial anual no longo prazo.
Apesar do otimismo, o Fundo alerta para desafios significativos na distribuição desses ganhos. Países que possuem infraestrutura digital robusta e força de trabalho qualificada tendem a aproveitar melhor os avanços tecnológicos, enquanto nações com menos recursos correm o risco de ver a desigualdade econômica aumentar. O cenário dentro de cada país também preocupa, pois a adoção da IA pode favorecer o retorno sobre o capital e aumentar a renda de profissionais especializados, gerando disparidades sociais.
No mercado de trabalho, a transformação é profunda, com cerca de 40% dos empregos globais expostos aos efeitos da inteligência artificial. Nas economias mais avançadas, esse índice pode atingir 60%. O FMI ressalta que essa exposição não implica necessariamente em demissões, já que a tecnologia pode atuar como uma ferramenta complementar, mas reforça a necessidade de preparação profissional diante de um cenário de mudanças aceleradas no mercado.

