A formação em Medicina no Brasil apresenta sinais de enfraquecimento, segundo o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) divulgado pelo Ministério da Educação. Na Paraíba, nenhum curso alcançou a nota máxima do exame, com universidades federais obtendo conceito 4 e privadas notas inferiores. O presidente do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), Bruno Leandro, destaca a importância do tema, pois a qualidade da formação médica impacta diretamente na saúde da população.
O Enamed avaliou quase 400 cursos de Medicina no país, revelando que mais de 100 receberam notas consideradas insuficientes (1 ou 2), representando um panorama preocupante para a profissão. Na Paraíba, quatro das nove instituições avaliadas tiveram nota 2, uma classificação que indica necessidade de melhorias, sobretudo na infraestrutura e no ensino. Bruno Leandro salienta que essa situação já é observada há algum tempo e requer atenção para garantir profissionais mais preparados.
Além da avaliação dos cursos, o exame identificou que cerca de 13 mil médicos formados não atingiram o nível mínimo considerado aceitável pelo MEC, número que o presidente do CRM-PB compara com a quantidade total de médicos ativos na Paraíba, mostrando a dimensão do desafio local para assegurar atendimento qualificado. Essa discrepância entre a formação e a demanda da população evidencia a urgência de aprimoramento na educação médica.
Como resposta a esses resultados, o CRM-PB apoia um projeto de lei em tramitação no Senado que propõe a criação de uma prova de proficiência obrigatória para o exercício da Medicina no Brasil, similar ao exame da Ordem dos Advogados. A medida visa garantir que somente médicos habilitados possam atuar, elevando o padrão técnico e ético da categoria. O objetivo é fortalecer a formação médica e proteger a saúde pública, assegurando mais qualidade no atendimento à população.

