O governo do Brasil rebateu oficialmente as explicações apresentadas pelos Estados Unidos para a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Em comunicado divulgado pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), o Planalto classificou como falsas as justificativas utilizadas pelos americanos, marcando um novo capítulo de tensão nas relações diplomáticas entre os dois países.
O impasse teve origem no processo de escolha do novo embaixador dos EUA no Brasil. O Departamento de Estado americano alega que a medida é uma resposta à demora brasileira em conceder o “agrément” — uma autorização formal exigida pela diplomacia internacional — ao indicado pelo presidente Donald Trump, Daniel Perez. O governo brasileiro, contudo, sustenta que o pedido segue sob análise e destaca que a Convenção de Viena, que rege as relações entre nações, não estabelece prazos rígidos para essa etapa, reforçando que o nome do candidato foi divulgado publicamente pelos americanos antes do trâmite oficial.
A crise também envolve o recente veto brasileiro aos vistos de dois funcionários do governo americano, Riley Barnes e Samuel Samson. Segundo a Secom, o Brasil negou as entradas por considerar que a comitiva pretendia questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro, o que foi classificado como uma interferência inaceitável nos assuntos nacionais. O governo brasileiro aponta que essa ação se soma a outros episódios de sanções anteriores, incluindo restrições que já afetaram membros da Suprema Corte e do Poder Executivo em momentos passados.
Diante deste cenário, o governo brasileiro afirmou que a decisão americana de revogar o visto de sua embaixadora faz parte de uma sequência de medidas hostis motivadas por razões ideológicas. O Executivo federal já monitorava a possibilidade de novas sanções diplomáticas, como o bloqueio de ativos ou restrições de viagem baseadas na Lei Magnitsky. Por ora, o Ministério das Relações Exteriores mantém a postura de defesa da soberania, enquanto observa os desdobramentos de uma relação bilateral que enfrenta um período de crescente desgaste.
