O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo brasileiro não pretende responder com retaliação ao aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A declaração ocorre às vésperas da entrada em vigor das medidas americanas, que elevaram em 25% os custos de importação para diversos itens, e busca evitar uma escalada comercial que prejudique ambos os lados.
Embora exista a chamada Lei da Reciprocidade, que permite ao Brasil responder com medidas equivalentes, o governo sinaliza cautela. Alckmin destacou que, apesar de o país dispor de instrumentos legais para reagir diante de possíveis injustiças comerciais, a intenção no momento é priorizar o diálogo. O vice-presidente usou a analogia de que uma disputa agressiva poderia deixar ambos os parceiros comerciais em situação desfavorável.
A posição do governo encontra eco em setores importantes da economia. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) posicionou-se contra o acionamento da lei de retaliação, defendendo a continuidade das tratativas diplomáticas e empresariais. Segundo o setor, a aplicação de contramedidas exigiria consultas públicas, nas quais a maioria das empresas provavelmente se manifestaria contrária, por considerar que o problema tem origem essencialmente política.
O cenário é de preocupação para exportadores, já que as tarifas de 25% podem atingir 37,5% caso haja cumulação com taxas adicionais por questões trabalhistas. Em busca de soluções, a indústria apresentou propostas para reduzir o chamado “Custo Brasil”, focando em medidas como a diminuição de resíduos tributários, ampliação de crédito e o uso de regimes de exportação facilitados, visando manter a competitividade nacional mesmo diante das novas barreiras externas.

