O governo brasileiro mantém cautela e aguarda o anúncio oficial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possível aplicação de novas tarifas às exportações brasileiras. Embora a expectativa no Palácio do Planalto seja de que as taxas recomendadas pelo Escritório do Representante Comercial americano (USTR) — de 25% e 12,5% — sejam confirmadas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por esperar a decisão oficial antes de definir qualquer medida de reciprocidade ou retaliação.
A estratégia brasileira depende de detalhes cruciais da decisão americana, como o percentual final das taxas, a data de vigência e a eventual criação de uma lista de produtos isentos. Atualmente, a equipe do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, liderada pelo ministro Márcio Elias Rosa, tenta avançar nas negociações com o governo dos EUA. Até o momento, as discussões técnicas não apresentaram os resultados esperados, e o governo americano sinalizou que ainda existe uma distância considerável entre as exigências de ambos os países.
Caso o cenário mais severo se concretize, com a soma de 37,5% em tributos, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que cerca de 4.187 produtos brasileiros poderiam ser impactados, representando um volume de aproximadamente US$ 14,9 bilhões em exportações. O governo brasileiro ressalta que as negociações continuam para evitar danos à indústria nacional e proteger postos de trabalho, mantendo, contudo, pontos considerados inegociáveis, como a autonomia do sistema de pagamentos Pix.
Quanto a uma possível reação, o Brasil possui amparo na Lei de Reciprocidade para responder a tarifas unilaterais. Contudo, essa medida não é automática e exige processos rigorosos, incluindo consultas públicas e análises técnicas. Por ora, a ordem no Planalto é persistir no diálogo diplomático até o limite das possibilidades, enquanto o país se prepara para avaliar os próximos passos conforme o anúncio oficial previsto para o dia 15 de julho.
