A recente decisão do governo federal de proibir as plataformas de apostas online, conhecidas como “bets”, movimenta o debate político na reta final das eleições. Segundo Andrei Roman, CEO da consultoria AtlasIntel, a medida tem potencial para engajar os eleitores, mas dificilmente será um fator decisivo para alterar o voto de quem já possui uma escolha consolidada.
O especialista explica que o cenário eleitoral atual é marcado por uma forte polarização, onde as opiniões sobre a figura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão cristalizadas. Em contextos de alta divisão política, ações governamentais, como a restrição aos jogos online ou ajustes em programas sociais, costumam ter mais eficácia na mobilização da base de apoio do que na conquista de novos eleitores.
Dados da AtlasIntel indicam que 75% dos brasileiros apoiam a proibição das apostas, medida justificada pelo governo para conter o endividamento das famílias e reduzir os impactos sociais negativos. No entanto, a mesma pesquisa aponta que 36% da população considera o atual governo como o principal responsável pela disseminação dessas plataformas no país, evidenciando a complexidade da percepção pública sobre o tema.
Para o setor de análise política, o grande desafio deste ciclo eleitoral é o clima de menor mobilização popular, o que pode influenciar os níveis de abstenção nas urnas. O debate em torno das bets e outras pautas propositivas atua, portanto, como uma ferramenta para incentivar a participação dos eleitores em um ambiente onde as emoções políticas já estão definidas e apresentam pouca margem para mudanças de preferência.

