Uma pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que a maioria das empresas brasileiras encontra grandes barreiras para conseguir financiamentos. Entre fevereiro e julho de 2026, 76% das indústrias que tiveram problemas ao buscar recursos de curto e médio prazo apontaram os juros elevados como o principal obstáculo. O cenário impacta diretamente o planejamento e a operação do setor industrial no país.
O levantamento, chamado de Sondagem Especial nº 107, ouviu 1.701 empresas de diferentes portes para entender a realidade do crédito no Brasil. Além das taxas de juros, que também afetaram 69% das operações de longo prazo (com duração superior a cinco anos), outros fatores complicam a vida dos empresários. Entender esses indicadores é fundamental para analisar a saúde financeira do parque industrial brasileiro.
Além do custo financeiro, a pesquisa destaca que a necessidade de apresentar garantias reais, como imóveis, foi a segunda maior dificuldade citada pelos entrevistados. No curto e médio prazo, 33,4% das empresas apontaram esse entrave, enquanto a burocracia excessiva foi citada por 13,6%. Já nas negociações de longo prazo, a falta de prazos de carência adequados às necessidades do negócio surgiu como outro ponto de atenção importante.
O impacto desse cenário reflete no comportamento das companhias diante do sistema financeiro. De acordo com os dados, metade das indústrias optou por não buscar crédito entre fevereiro e agosto de 2026. Do total consultado, apenas 22,9% conseguiram renovar ou contratar novos financiamentos, enquanto 7,5% tentaram obter os recursos, mas tiveram seus pedidos negados, sinalizando um mercado restrito.

