A vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, prevista com 92% de probabilidade pela TAG Investimentos, traz expectativas imediatas sobre a condução da economia nacional. Para a gestora, embora a chance de uma política econômica saudável aumente com um possível governo de oposição, o mercado financeiro aguarda definições claras sobre as prioridades do início do mandato, alertando que o foco deve ser o equilíbrio das contas públicas.
O ajuste fiscal é considerado o principal desafio para o próximo governo, visto que a dívida bruta do país atingiu 82,9% do PIB em agosto, o patamar mais elevado desde 2021. Além do controle dos gastos, o mercado espera medidas de desoneração fiscal que permitam ao Banco Central reduzir a taxa Selic, atualmente em 13,75%. A gestão da inflação e a busca por juros reais mais baixos são vistas como essenciais para estabilizar o cenário econômico brasileiro.
A gestora ressalta que temas como a reforma do Judiciário, embora contem com apoio popular — como a percepção de excesso de poderes dos ministros do STF —, não devem atropelar a agenda econômica. O documento aponta que o desperdício dos primeiros seis meses de governo com embates políticos, em vez de focar nas reformas necessárias, pode gerar reações negativas dos investidores e dificultar a governabilidade ao longo do mandato de quatro anos.
Por fim, o cenário para o vencedor é desafiador, considerando a necessidade de lidar com uma oposição consolidada e um eleitorado que, em grande parte, votou por rejeição ao adversário. O governo terá que equilibrar a gestão de um Bolsa Família com custo elevado para 2027 e as demandas de um mercado que, segundo a análise da TAG, não terá paciência para aguardar resultados caso as pautas institucionais e de anistia sejam colocadas à frente da estabilidade econômica.
