A fabricante chinesa Dreame, conhecida por seus aspiradores de pó, anunciou planos de expandir suas operações para o setor automotivo a partir do próximo ano. A empresa se junta a uma lista crescente de companhias de eletrônicos que buscam espaço no mercado de veículos elétricos (VEs), um movimento que reflete a rápida transformação industrial na China e as novas estratégias de diversificação das marcas locais.
O cenário automotivo chinês é marcado por uma competição intensa, somando agora 146 marcas ativas, de acordo com dados da consultoria AlixPartners. Esse crescimento é impulsionado tanto por empresas de tecnologia, como a Xiaomi, quanto pela criação de “submarcas” por grandes montadoras. O objetivo dessas divisões é separar modelos de luxo de veículos voltados para o mercado de massa, permitindo uma segmentação mais precisa dos consumidores.
Apesar do alto número de marcas, a concentração de vendas permanece elevada: apenas dez fabricantes foram responsáveis por 84% do total comercializado em 2025. Contudo, o setor enfrenta dificuldades, incluindo a retração nas vendas internas e a pressão das autoridades chinesas contra a guerra de preços. Empresas como a BYD já apontam que o aumento nos custos de componentes, como baterias e chips, tem pressionado as margens de lucro dos fabricantes.
Diante da desaceleração da demanda doméstica, a tendência é que as empresas chinesas busquem compensar os resultados através de uma expansão internacional agressiva. Com o crescimento das exportações e a busca por mercados externos, as fabricantes preparam investimentos para consolidar redes de distribuição fora do país, visando margens de lucro mais atrativas em meio a um mercado interno altamente saturado e desafiador.

