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Rombo no balanço do grupo Americanas estimado em R$ 20bi

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Americanas informou ter encontrado “inconsistências contábeis” de R$ 20 bilhões; valor coloca à mesa risco de empresa quebrar.

Foi descoberto um enorme “rombo” contábil no grupo das lojas Americanas, um gigante varejista que inclui Americanas.com, Submarino e Shoptime. Após as informações se tornarem públicas sobre inconsistências no montante de R$ 29 bi, a empresa vivencia uma verdadeira “convulsão”. Somente após o anúncio as ações do grupo abriram em queda de 75%, e por essa razão os papéis tiveram sua negociação suspensa temporariamente.

A notícia provocou a renúncia do CEO da empresa, Sério Rial, dez dias após assumir o cargo. O diretor de Relações com Investidores, André Covre, também foi desligado da Americanas após ser empossado no último dia 2 de janeiro.

O comunicado emitido pela empresa não deixou claro quanto desses R$ 20 bilhões estão totalmente fora do balanço, e causou estranheza o fato de que a auditoria PwC, uma das mais prestigiadas do mercado, também não havia encontrado inconsistência nos números. A empresa toda divulgava ter R$ 47 bilhões em ativos em setembro e patrimônio líquido de R$ 14 bilhões na mesma data.

“A área contábil da Companhia identificou a existência de operações de financiamento de compras em valores da mesma ordem acima (R$ 20 bilhões), nas quais a Companhia é devedora perante instituições financeiras e que não se encontram adequadamente refletidas na conta fornecedores nas demonstrações financeiras de 30/09/2022”. 

Especialistas da área tentam, baseados nessas informações, compreender exatamente quanto desse passivo já não estaria expresso nos balanços anteriores ou se trata apenas da necessidade de adequação das escritas contábeis.

Por se tratar de empresa de capital aberto, sendo, por tanto negociada ações, a Americanas tem como principais acionistas a gestora de investimentos 3G, que pertencem aos brasileiros Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles, tendo pouco mais de 30% das ações da varejista. Além da participação na Americanas, Lemann, Sicupira e Telles são sócios da Ambev e da Kraft Heinz.

Segundo o comunicado da varejista, o problema estaria no lançamento contábil de financiamentos com fornecedores. Na prática, a Americanas teria reportado um volume de dívidas menor do que o real. O comunicado diz que os problemas teriam acontecido no exercício de 2022 e em anos anteriores, mas não diz em qual período exato os números inconsistentes teriam sido lançados.

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