InícioDestaqueO São João termina no calendário. Na alma do nordestino, nunca!

O São João termina no calendário. Na alma do nordestino, nunca!

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O Maior São João do Mundo encerra mais uma edição celebrando cultura, tradição, desenvolvimento e a capacidade de Campina Grande de transformar um sonho nordestino em um espetáculo que emociona o Brasil e encanta visitantes de todos os continentes.

Neste domingo, as luzes do Parque do Povo começam a se despedir de mais uma edição do Maior São João do Mundo. Durante 33 dias, Campina Grande deixou de ser apenas uma cidade para se transformar na capital da alegria, da cultura popular e da hospitalidade nordestina. A festa chega ao fim no calendário, mas permanece viva na memória de milhões de pessoas que fizeram parte dessa história.

Muito além dos shows e da programação artística, o São João movimenta a economia, fortalece o turismo, impulsiona pequenos e grandes empreendedores, gera milhares de empregos temporários e reafirma a cultura como um dos maiores patrimônios econômicos e sociais do Nordeste. Durante pouco mais de um mês, hotéis, restaurantes, bares, comerciantes, artesãos, motoristas, ambulantes e tantos outros profissionais encontraram na festa uma oportunidade de trabalho e renda, demonstrando que investir em cultura também é investir no desenvolvimento das pessoas.

O palco principal recebeu artistas que ajudaram a escrever mais um capítulo dessa história. Roberto Carlos, Marisa Monte, Henrique & Juliano, Wesley Safadão, Simone Mendes, Xand Avião, Nattan, Elba Ramalho, Flávio José, Fagner, Martinho da Vila, Mart’nália, Matheus & Kauan, Sorriso Maroto, Matuê, Menos é Mais, Lucy Alves, Vicente Nery, Waldonys, Calcinha Preta, Limão com Mel, Brasas do Forró, Dorgival Dantas e tantos outros fizeram da música a trilha sonora de uma festa que conseguiu reunir diferentes gerações sem perder sua identidade nordestina.

Mas nenhum espetáculo dessa dimensão acontece por acaso.

É justo reconhecer o papel da Prefeitura de Campina Grande, que, ao longo das décadas, permanece como a grande âncora institucional dessa celebração, preservando uma tradição que ultrapassou os limites da cidade e passou a representar o Nordeste diante do Brasil e do mundo.

Também merece reconhecimento a Arte Produções, que mais uma vez demonstrou competência para transformar um sonho coletivo em um evento de padrão internacional, conciliando estrutura, organização, tecnologia, segurança e entretenimento em uma operação gigantesca que impressiona pela dimensão e pela capacidade de acolher milhões de visitantes.

Há, porém, um espetáculo que acontece longe dos refletores do palco principal.

É o encontro dos forrozeiros.

Vieram de todas as regiões do Brasil e de diferentes partes do mundo. Trouxeram sotaques, costumes, idiomas e histórias diferentes. Mas bastaram os primeiros acordes da sanfona para que todos passassem a falar a mesma língua: a da alegria. Durante trinta e três dias, Campina Grande não recebeu apenas turistas. Recebeu pessoas dispostas a viver uma experiência que dificilmente se explica em palavras. Porque existe um cordão invisível que une quem pisa no Parque do Povo: o pertencimento. Por algumas horas, ninguém é visitante. Todos se tornam parte da mesma festa.

Outro espetáculo é protagonizado pelas quadrilhas juninas.

Há quem enxergue apenas uma dança. Mas elas são muito mais do que isso. São meses de trabalho silencioso que florescem em poucos minutos de apresentação. Cada figurino é uma obra de arte. Cada passo carrega ensaios, disciplina e paixão. Cada giro conta uma história. A cada edição, as quadrilhas desafiam seus próprios limites, unem teatro, música, luz, cenografia e tecnologia, rompem paradigmas com criatividade e ousadia, mas preservam o cordão umbilical que as liga às tradições nordestinas. É justamente essa capacidade de inovar sem romper com as raízes que faz delas uma das mais belas expressões da cultura popular brasileira.

E se o Parque do Povo representa a grandiosidade alcançada pelo São João de Campina Grande, o Sítio São João guarda aquilo que nenhuma modernidade substitui: a memória.

Ali, o forró raiz continua convidando casais para dançar de rosto colado. As casas de taipa, a gastronomia, os costumes e a simplicidade do interior lembram às novas gerações que toda essa grandeza nasceu de um sonho. Um sonho plantado pelo poeta e então prefeito Ronaldo Cunha Lima, que acreditou que a cultura popular poderia transformar Campina Grande em referência para o mundo. Décadas depois, essa semente floresceu e hoje encanta milhões de pessoas sem perder suas origens.

Talvez esse seja o maior ensinamento do São João de Campina Grande: tradição e modernidade não precisam caminhar em lados opostos. Elas podem dividir o mesmo arraial, a mesma sanfona e o mesmo coração.

Quando a última música tocar nesta noite, não será o silêncio que ocupará a Rainha da Borborema. Será a saudade.

A sanfona seguirá seu caminho pelo Nordeste, levando seus acordes para outras cidades, outros arraiais e outras festas. Talvez tire apenas um breve cochilo entre uma estrada e outra, porque sanfona não nasceu para descansar. Nasceu para reunir gente, despertar lembranças e fazer o coração dançar antes mesmo que os pés encontrem o compasso.

Até 2027, pessoal.

Porque o Maior São João do Mundo se despede apenas do calendário. Da memória, da cultura e do coração de quem vive essa festa, ele nunca vai embora.

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