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Orçamento Democrático: quando a democracia sai do discurso e entra na vida real

O lançamento do Ciclo 2026 do Orçamento Democrático Estadual pelo governador Lucas Ribeiro reafirma uma das ideias mais nobres da gestão pública moderna: governar não é apenas decidir, é saber ouvir. Quando o Estado abre espaço para que a população participe da definição de prioridades, a democracia deixa de existir somente nas urnas e passa a influenciar diretamente o destino dos recursos públicos.

Em tempos de descrença política e distanciamento entre governos e sociedade, instrumentos como o Orçamento Democrático recolocam o cidadão no centro das decisões. Bairros, comunidades rurais e cidades deixam de ser meros espectadores para se tornarem parte ativa do planejamento. Isso fortalece o pertencimento, amplia a confiança institucional e aproxima o poder público da vida real.

As plenárias começam em Cajazeiras, no dia 7 de maio, percorrem todas as regiões do estado e se encerram em João Pessoa, em 2 de julho. Mais do que agenda administrativa, o roteiro simboliza um governo que sai da capital para ouvir a Paraíba profunda, diversa e concreta.

Bons gestores compreendem que nenhuma obra relevante nasce apenas da caneta. É preciso sensibilidade para identificar prioridades, humildade para escutar demandas e capacidade técnica para transformar arrecadação em benefício coletivo. Estradas, escolas, hospitais, praças, sistemas hídricos e equipamentos urbanos não são favores estatais. São a devolução legítima dos impostos pagos pela população em forma de serviços e infraestrutura.

Mas a democracia madura exige reciprocidade. Se ao gestor cabe ouvir, planejar e executar, ao cidadão cabe preservar, fiscalizar e cuidar daquilo que ajudou a financiar. O bem público não pertence ao governo de ocasião. Pertence à sociedade.

Quando uma praça é destruída, uma escola vandalizada ou um equipamento urbano depredado, o prejuízo não recai sobre um partido ou sobre um mandato. Recai sobre o próprio povo. Ainda persiste no Brasil a cultura equivocada do “é do governo”, como se isso autorizasse abandono, descuido ou destruição. Na prática, ao danificar o patrimônio público, a sociedade compromete aquilo que foi construído para melhorar sua própria qualidade de vida com recursos oriundos dos seus impostos.

Governos passam. Mandatos terminam. O que permanece é o legado construído com responsabilidade e conservado com consciência coletiva.

Por isso, o Orçamento Democrático Estadual representa mais do que uma política administrativa. Ele simboliza a democracia em sua forma mais útil: aquela em que o povo participa, o governo escuta e a população colhe benefícios reais em sua vida cotidiana. Quando gestão e cidadania caminham juntas, o resultado aparece nas ruas, nos bairros e na vida real.

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