A cúpula da OTAN iniciada nesta terça-feira, 7, em Ankara, na Turquia, destaca uma mudança profunda na estratégia de defesa do bloco militar. Diante da redução do suporte vindo dos Estados Unidos, nações europeias e o Canadá precisaram elevar em 11% seus investimentos bélicos para 2026. Este cenário reflete a necessidade urgente de os aliados assumirem o protagonismo na segurança do continente.
Essa reorientação ocorre por uma decisão do governo de Donald Trump, que busca transferir aos membros da aliança a responsabilidade pela defesa convencional. Washington tem reduzido sua presença em forças terrestres, aéreas e navais, focando sua estratégia em outras regiões estratégicas como o Indo-Pacífico, embora mantenha o compromisso com a proteção nuclear. O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, reforçou que o fortalecimento das capacidades próprias é fundamental neste novo momento.
Financeiramente, os gastos com defesa na Europa e no Canadá devem alcançar US$ 634 bilhões em 2026, frente aos US$ 571 bilhões de 2025. O objetivo de longo prazo é que os países destinem 5% de seus PIBs para a segurança até 2035. Atualmente, cinco nações já atingiram essa meta, enquanto outras, como a Eslovênia, ainda possuem percentuais significativamente mais baixos, evidenciando uma disparidade nos investimentos entre os membros.
Embora o aumento dos recursos seja expressivo, o cenário ainda enfrenta obstáculos, incluindo restrições fiscais em grandes economias e dificuldades para ampliar a capacidade da indústria de armamentos. Com a Guerra da Ucrânia seguindo como ponto central para o bloco, a eficácia dessas medidas dependerá da capacidade coletiva de transformar o orçamento em poder militar efetivo nos próximos anos.
