O preço do tomate tem assustado os consumidores nos últimos meses, acumulando uma alta impressionante de quase 60% entre janeiro e outubro de 2026. A situação reflete diretamente no bolso de quem vai às feiras e supermercados, onde o quilo do produto chegou a registrar patamares elevados, como os R$ 19,90 encontrados por moradores na zona sul de São Paulo. Esse cenário de encarecimento contínuo é puxado por uma forte pressão nos custos que afeta toda a cadeia de produção e comercialização do fruto.
De acordo com dados oficiais do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador da inflação oficial do Brasil, o preço do tomate disparou 24,54% somente no mês de outubro. No mês anterior, em setembro, o alimento já havia acumulado um salto expressivo de 37,76%. Essa sequência de altas expressivas contraria o comportamento histórico do mercado, já que tradicionalmente os valores costumam registrar quedas durante o segundo semestre, impulsionados pela entrada da safra de inverno e por melhores condições de oferta nas regiões produtoras.
O principal motor dessa disparada nos preços é a escassez do produto no campo, provocada por problemas climáticos e pela diminuição da área plantada. Conforme informações da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), embora tenha havido uma leve recuperação no volume de entrega em outubro, a oferta total ainda ficou 33% menor na comparação com o mesmo período do ano anterior. Nem mesmo a chegada do tomate rasteiro, que costuma abastecer prioritariamente a indústria, foi suficiente para atender a toda a demanda do mercado.
Com essa oferta restrita, os preços nos entrepostos também subiram de forma generalizada para diferentes variedades do fruto. No Entreposto Terminal São Paulo, o tomate Carmem atingiu uma média de R$ 7,59 por quilo em outubro, o que representa um salto de 134,3% em relação a igual mês de 2025. Outras variações comercializadas na região, como o Pizzadoro e o Débora, também registraram aumentos expressivos nos valores médios repassados aos comerciantes, mantendo o cenário de cautela para o orçamento dos consumidores.
