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China em “pé de guerra”

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Os olhos do mundo estão se voltando para um dos países com um dos regimes mais fechados e repressivos do mundo: a China, a segunda maior potência do planeta. De forma inédita estão sendo registrados diversos atos públicos, com a participação de milhares de pessoas que questionam, entre outros pontos, o regime socialista imposto pelo líder Xi Jinping, recente vencedor no Congresso do Partido Comunista Chinês.

Embora haja um intenso controle sobre a mídia, e a liberdade de impressa seja completamente reprimida, a recente onda de levantes populares vem sendo divulgada por meio das redes sociais que “escapam” aos filtros estatais de bloqueios, pois nem mesmo a internet é livre no país.

Não há como afirmar com certeza o marco inicial dos levantes, mas é fato que a insatisfação da população, e a coragem para enfrentar o regime repressor só veio após a implementação de duras medidas de lockdown. Medidas extremamente rígidas e coercitivas da população que chegou a enfrentar mais de 100 dias completamente isolados em suas residências, sem sequer acesso à alimentação adequada criou uma onda cada vez maior de revolta interna. Os vídeos vazados locais são chocantes, mostrando a população em prédios residenciais gritando desesperados à noite para chamar atenção das autoridades para a precariedade da situação e fome.

A onda de protestos ganhou força depois que um incêndio matou dez moradores em Xinjiang. Muitos acreditam que as restrições impostas pela política de “Covid zero” dificultaram o esforço de resgate.

Com a construção de um complexo com capacidade para mais de 87 mil pessoas na cidade de Guangzhou, para abrigar qualquer pessoa com o passaporte sanitário vermelho, seja ela sintomática ou não, a população já desgastada entrou em desespero partindo para o confronto diretos violentos contra os isolamentos compulsórios realizados pelo governo.

Embora o movimento tenha ganhado cada dia mais força, o governo não demonstra que irá recuar em suas ações e políticas, reforçando o aparato repressor e se preparando para efetuar, a cada dia, mais prisões e, caso necessário, fazer uso de mais violência contra os insurgentes.

Os levantes se espalharam pelas principais cidades da China, chegando, inclusive, até Xangai, onde os manifestantes, engendraram estratégias de protesto que impedisse que a polícia os prendesse por se pronunciarem contra o regime. A tática consiste em segurar uma folha em branco de papel em vários pontos da cidade, isoladamente ou em conjunto, o que se tornou um símbolo de resistência nesta onda que pede a renúncia Xi Jinping. Essas folhas em branco não mostram nada, mas dizem muito.

O fato é que este momento inédito de movimentos pró-democracia espontâneos e imprevisíveis são sem volta, representando um marco desde que Mao Tsé-tung liderou a revolução e chegou ao poder, em 1949. Será o início da derrocada do regime comunista na China? O futuro pode estar em uma folha de papel em branco.

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