O governo federal anunciou um reajuste de 15% no Bolsa Família, elevando o benefício médio de R$ 675 para R$ 777 e alcançando cerca de 19,3 milhões de famílias. A medida, divulgada às vésperas do primeiro turno das eleições, gera debates sobre a viabilidade financeira e os efeitos desse aumento nas contas públicas para os próximos anos.
Na prática, o benefício básico subiu de R$ 600 para R$ 691. Embora o governo afirme que o reajuste está coberto, o cenário fiscal oficial indica um aperto maior do que o esperado. O déficit primário projetado para 2026 subiu de R$ 52 bilhões para R$ 80,9 bilhões, enquanto o impacto financeiro do aumento foi calculado em R$ 5,8 bilhões para 2026 e R$ 22 bilhões em 2027.
Para justificar o espaço no orçamento, o governo utilizou revisões de gastos em áreas como Previdência e Benefício de Prestação Continuada (BPC). Contudo, analistas apontam que a despesa primária total avançou R$ 22,1 bilhões, chegando a R$ 2,67 trilhões, enquanto a receita líquida apresentou uma queda de R$ 6,8 bilhões. Esse desequilíbrio forçou um contingenciamento de R$ 13,6 bilhões para tentar cumprir as metas fiscais.
O resultado desse cenário é uma piora nas projeções do déficit primário em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), impactando tanto 2026 quanto 2027. Especialistas alertam que o aumento de despesas dessa magnitude pressiona a inflação e as taxas de juros, podendo exigir medidas futuras como cortes em investimentos, aumento de arrecadação via impostos ou o crescimento da dívida pública.

