Um dia após o Banco Central reduzir a taxa básica de juros, a Selic, para 13,75% ao ano, o governo federal anunciou um reajuste de 15,04% no Bolsa Família. A partir do próximo mês, o benefício mínimo subirá para R$ 691 e o valor médio passará a ser de R$ 777, gerando uma reação imediata nos investidores que observam o cenário econômico do país.
O anúncio causou oscilações no mercado financeiro, com o Ibovespa chegando a recuar mais de 1% logo após a divulgação, enquanto o dólar e os juros futuros apresentaram alta. Analistas explicam que o impacto ocorre devido ao aumento na percepção de risco fiscal, uma vez que a medida terá um custo estimado de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027, levantando dúvidas sobre a trajetória da inflação.
Especialistas do setor financeiro apontam que a preocupação não reside apenas no valor do reajuste, mas no estímulo à demanda em um momento em que a inflação ainda se encontra acima da meta estabelecida. O governo federal, por sua vez, afirma que o aumento no benefício, que atende cerca de 19,3 milhões de famílias, serve para recompor a inflação acumulada pelo INPC desde 2023 e está em conformidade com o Orçamento.
O debate central agora gira em torno de como esse movimento afetará as próximas decisões do Banco Central sobre a Selic. Enquanto o governo sustenta que o ajuste cabe nas regras fiscais vigentes, o mercado busca entender se a medida poderá limitar novas quedas nos juros nos próximos meses, mantendo a cautela diante do cenário eleitoral e das contas públicas.

