O setor de turismo brasileiro enfrenta um período de grande incerteza diante das mudanças trazidas pela reforma tributária, que entra em vigor em 1º de janeiro de 2027. Com a implementação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substituirá o PIS e a Cofins, empresários e viajantes ainda não sabem qual será a alíquota definitiva aplicada sobre os serviços. A falta dessa definição impede um planejamento adequado de custos, gerando preocupação sobre como os preços serão repassados ao consumidor final.
Atualmente, a grande dificuldade do setor é a falta de prazos claros para a definição das taxas. O Tribunal de Contas da União tem até o final de outubro para concluir os cálculos, enquanto o Senado possui prazo até meados de dezembro para fixar o percentual por resolução. Essa indefinição ocorre em um momento crítico, justamente no quarto trimestre, quando as empresas do ramo costumam negociar tarifas e orçar suas operações para o ano seguinte.
Estimativas da Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA) e de companhias como a LATAM apontam que o custo das passagens aéreas pode subir cerca de 25%. O impacto será sentido principalmente por famílias em viagens de lazer, já que, diferentemente das empresas que poderão recuperar créditos tributários, o passageiro pessoa física arcará com o valor integral do imposto. No caso da hotelaria, a preocupação é ainda maior com a possibilidade de uma tributação em cascata que encareça as diárias.
Além da reforma, o setor aéreo lida com a alta expressiva do querosene de aviação, que subiu 70% desde o início do ano e passou a representar cerca de 45% dos custos das companhias. Com as margens de lucro pressionadas, executivos de empresas como a LATAM e a GOL sinalizam que há pouco espaço para absorver novos encargos, o que torna o repasse do aumento tributário para as tarifas uma tendência provável para o próximo ciclo.

