Um estudo recente realizado pela Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo (ALTA) aponta que a reforma tributária no Brasil pode gerar uma queda significativa no número de passageiros que utilizam o transporte aéreo. A análise estima que, com o possível aumento nos custos das tarifas, o país poderia registrar 20 milhões de viagens domésticas a menos por ano, impactando diretamente o setor de turismo e a conectividade nacional.
O levantamento projeta que as passagens aéreas domésticas fiquem 16,1% mais caras caso a alíquota de referência de 26,5% de CBS e IBS seja aplicada integralmente ao setor. Esse valor substituiria uma carga tributária efetiva estimada atualmente em cerca de 9%. Para voos internacionais de ida e volta vendidos no Brasil, a previsão é de um aumento de 13,25% nos preços, considerando a aplicação dos novos impostos sobre metade do valor total do bilhete.
Além da redução de 20 milhões de viagens domésticas, a projeção da ALTA indica uma queda de 17,8% na demanda por voos internacionais, o que representaria cerca de 5 milhões de viagens a menos anualmente. O estudo alerta que o encarecimento das tarifas pode levar a uma menor ocupação das aeronaves e a um ritmo mais lento de expansão da malha aérea brasileira, dificultando o crescimento do setor frente a outros países da América Latina.
A entidade reforça que os números apresentados tratam-se de uma simulação baseada em cenários econômicos e não de uma previsão definitiva. Os efeitos reais sobre o mercado dependerão da forma como a reforma será implementada e das condições futuras da economia. Vale lembrar que, entre 2015 e 2025, as companhias aéreas brasileiras já acumularam cerca de R$ 55 bilhões em prejuízos líquidos devido a fatores como câmbio e custos de combustível.

