A decisão do senador Flávio Bolsonaro de deixar o Brasil logo após a derrota eleitoral para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva gerou forte repercussão negativa entre dirigentes do PL. A medida surpreendeu lideranças da legenda e passou a ser tratada internamente como um fator que compromete o futuro político do parlamentar, além de impactar os planos traçados para a oposição.
De acordo com informações de bastidores reveladas pelo colunista Robson Bonin, a saída do país foi interpretada por caciques do partido como um abandono do projeto bolsonarista. O planejamento inicial previa a consolidação do senador como a principal voz oposicionista nos próximos anos, independentemente do resultado nas urnas, preparando o terreno político para a direita de olho em cenários futuros.
A estratégia desenhada em dezembro de 2025 por Jair Bolsonaro apontava que a participação na disputa serviria para fortalecer o parlamentar como referência conservadora na articulação nacional. No entanto, a partida repentina do território brasileiro poucas horas depois do encerramento da votação acabou contrariando as expectativas traçadas pela cúpula partidária.
Diante do cenário, interlocutores da legenda destacam que o episódio resultou na desmobilização de uma base expressiva composta por quase 60 milhões de eleitores, além de parlamentares e governadores alinhados ao grupo. A avaliação geral no partido é de que a atitude representou um grande obstáculo para a continuidade da liderança política do setor conservador.

