O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal para investigar o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. A apuração busca esclarecer possíveis crimes de corrupção e tráfico de influência no Ministério da Saúde, especificamente envolvendo o mercado de cannabis medicinal. O processo, que corre em sigilo, coloca sob análise as atividades do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A investigação está ligada a movimentações de Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, lobista que já foi citado em investigações sobre fraudes previdenciárias. Segundo informações da Polícia Federal, o lobista realizou reuniões no Ministério da Saúde acompanhado da empresária Roberta Luchsinger, que possui relação com Lulinha. Documentos indicam que a dupla buscou tratar de interesses comerciais na pasta em diferentes ocasiões entre 2023 e 2025.
Relatórios da PF apontam ainda registros de viagens internacionais simultâneas entre Lulinha e o lobista para países como Espanha e Portugal. Além disso, foram identificados pagamentos de R$ 1,5 milhão realizados por Careca a Roberta Luchsinger, com menções em diálogos que sugeririam beneficiários vinculados ao filho do presidente. Também foram levantados dados sobre o custeio de viagens de luxo e o uso de agências de turismo que estariam vinculadas aos cadastros de Lulinha.
Em nota, o advogado de defesa de Fábio Luís, Marco Aurélio de Carvalho, afirmou que a notícia da instauração do inquérito foi recebida com perplexidade. O defensor classificou a medida como uma “fishing expedition” — termo usado para descrever investigações sem alvo definido — e reiterou que terá a oportunidade de comprovar que não há relação de Lulinha com irregularidades. O caso segue sob análise das autoridades competentes, que darão continuidade aos procedimentos investigativos.

