A recente mudança na tributação sobre dividendos, em vigor desde janeiro, começou a afetar o bolso de diversos investidores brasileiros com o pagamento dos proventos do primeiro trimestre. Com o fim da isenção, quem recebe acima de 50 mil reais mensais por uma única empresa passou a pagar 10% de imposto de renda, o que tem levado contribuintes a buscarem novas alternativas para gerir seus ganhos financeiros e proteger seu patrimônio.
Essa nova regra tributária impacta desde grandes acionistas até profissionais liberais e empreendedores que utilizavam o recebimento de dividendos como estratégia para reduzir a carga de impostos sobre sua renda. Diante desse cenário, a estruturação de uma holding patrimonial, modelo jurídico comum entre a elite financeira, tornou-se uma opção cada vez mais procurada para organizar bens e transações imobiliárias de forma mais eficiente.
Especialistas apontam que a criação de uma holding pode ser vantajosa para indivíduos ou famílias que possuam um patrimônio a partir de 1 milhão de reais. A estratégia consiste em transferir bens e direitos para uma empresa, na qual o investidor e seus familiares se tornam sócios, permitindo que os lucros circulem entre companhias com uma tributação diferenciada, conforme explica Manoela Vargas, da TAG Investimentos.
Na prática, ao transferir os rendimentos para a estrutura da holding, o capital pode ser reinvestido antes de chegar à pessoa física. Como a distribuição de proventos entre empresas permanece isenta de imposto de renda, independentemente do valor, essa organização é vista como um caminho para manter o fluxo financeiro mais eficiente, evitando a tributação direta sobre os valores recebidos por cada sócio.
