Os investidores devem manter uma postura de ceticismo em relação aos ativos brasileiros após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de acordo com um relatório divulgado pelo UBS nesta segunda-feira, 26. Para o banco, a recuperação da confiança do mercado dependerá da apresentação de evidências concretas de compromisso com o ajuste fiscal e da capacidade do governo de aprovar essas medidas.
Na avaliação dos analistas, as recentes valorizações dos ativos brasileiros, observadas desde o primeiro turno das eleições, carecem de sustentação diante da ausência de medidas fiscais efetivas. O banco projeta que a Bolsa, o real e os rendimentos dos títulos possam retornar aos patamares anteriores àquela etapa de votação, com risco de desempenho ainda mais fraco no curto prazo.
O relatório aponta que a alta recente foi impulsionada pela expectativa de um programa rápido de consolidação fiscal, uma trajetória distinta da indicada pela vitória de Lula. Embora o ministro da Fazenda, Dario Durigan, tenha sinalizado um pacote de ajuste antes do pleito, os novos compromissos de gastos assumidos durante a campanha dificultaram a demonstração de equilíbrio nas contas públicas.
Para reconquistar a confiança dos investidores, o banco destaca três condições principais: a apresentação de um pacote concreto com medidas quantificadas, a conciliação das despesas de campanha estimadas em R$ 300 bilhões com o esforço de ajuste, e a aprovação das propostas em um Congresso de inclinação à direita.
