A mineradora Vale anunciou a suspensão temporária das atividades de sua planta de pelotização em Omã, no Oriente Médio, devido a gargalos logísticos provocados pelas atuais tensões geopolíticas na região. Para garantir o atendimento aos clientes e manter as metas anuais, a companhia informou que utilizará a capacidade ociosa de suas unidades brasileiras, como a de Tubarão, no Espírito Santo. A previsão é que a unidade internacional retome suas operações apenas a partir do terceiro trimestre de 2026.
Segundo Marcelo Bacci, vice-presidente de finanças da mineradora, a paralisação em Omã também foi aproveitada para antecipar manutenções necessárias e a execução de “tie-ins”, que são as conexões técnicas com uma nova unidade de concentração construída nas proximidades. De acordo com a empresa, essa estratégia de remanejo entre as unidades de produção visa assegurar que o volume total projetado para o ano, que varia entre 30 e 34 milhões de toneladas de pelotas, seja alcançado.
O setor enfrenta um cenário de pressão nos custos operacionais, impulsionado pela alta nos preços do petróleo e do diesel. O custo caixa C1, que mede o gasto por tonelada produzida, tem sido afetado diretamente pelo aumento do valor dos combustíveis utilizados no transporte interno nas minas e ferrovias. Além disso, o frete marítimo internacional, componente fundamental do custo de entrega, sofre o impacto direto da variação do preço do barril de petróleo Brent, que segue monitorado pela companhia.
O balanço financeiro da empresa refletiu essas preocupações com os custos e o cenário logístico, resultando em uma reação negativa do mercado. Apesar dos desafios atuais, a Vale reforça que a região de Omã permanece estratégica para o longo prazo. A continuidade das operações locais dependerá do desenrolar do conflito no Oriente Médio, que influencia tanto a disponibilidade de recursos energéticos quanto a estabilidade das rotas de exportação.
