A Vale registrou um aumento nos custos de sua operação durante o segundo trimestre, impulsionado principalmente por fatores externos que impactaram o balanço financeiro da mineradora. A valorização do real frente ao dólar e a alta no preço do petróleo, provocada por tensões no Oriente Médio, foram apontadas como os principais responsáveis pela mudança de patamar nos gastos da companhia.
O diretor financeiro da empresa, Marcelo Bacci, explicou que o encarecimento do petróleo afeta diretamente o custo do frete, já que encarece o combustível utilizado nos navios. Paralelamente, o efeito cambial é de natureza contábil, ocorrendo porque a Vale realiza a maior parte de suas despesas em reais, enquanto seus resultados financeiros são reportados em dólares americanos.
No setor de minério de ferro, o custo caixa C1, que compreende as despesas diretas na mina, subiu 9% em comparação anual, atingindo US$ 24,1 por tonelada. O custo total, conhecido como all-in, também avançou, chegando a US$ 61,6 por tonelada devido aos gastos extras com frete. Em contrapartida, os metais básicos apresentaram um cenário diferente, com o custo do cobre e do níquel recuando significativamente no período, graças a receitas geradas por subprodutos como o ouro.
Diante desses indicadores, a Vale revisou suas projeções para o minério de ferro, ajustando as estimativas para o restante do ano. Embora o preço do petróleo tenha superado as expectativas iniciais, a diretoria afirmou que não prevê novas revisões em suas metas de custos. A empresa acredita que as margens de variação estabelecidas em seu planejamento são suficientes para acomodar as oscilações de mercado previstas para o segundo semestre.

