A Vale encerrou o segundo trimestre de 2026 com um lucro líquido de US$ 1,375 bilhão, valor que representa uma queda de 35% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado foi influenciado principalmente por variações negativas em contratos de proteção financeira, conhecidos como derivativos, e por um aumento nas despesas com tributos. Apesar dessa retração no lucro final, a empresa apresentou um desempenho operacional robusto que sinaliza mudanças importantes no cenário da mineradora.
O grande destaque do balanço financeiro foi a alta de 19% no lucro operacional, medido pelo EBITDA, que alcançou US$ 4,066 bilhões. Esse crescimento foi impulsionado pelo setor de metais básicos, com o cobre registrando um salto de 91% e o níquel de 46% em comparação ao ano passado. A receita líquida total da companhia também cresceu 19%, beneficiada pela valorização dos preços de venda e pelo aumento no volume de entregas de quase todos os produtos do portfólio da mineradora.
Enquanto o segmento de metais básicos apresentou maior competitividade e redução de custos, a operação de minério de ferro enfrentou pressões financeiras, com aumento nos custos de produção e fretes. Adicionalmente, as despesas relacionadas às reparações de Brumadinho e à descaracterização de barragens somaram US$ 101 milhões no período. Mesmo com esses desafios, a geração de caixa da empresa manteve-se forte, permitindo a redução da dívida líquida para US$ 16,7 bilhões e o anúncio de novos pagamentos a acionistas.
Com o desempenho sólido dos metais no primeiro semestre, a Vale ajustou para cima suas projeções de produção de cobre e níquel para o restante de 2026. A companhia também revisou suas expectativas de custos para baixo, favorecida pela alta nos preços de subprodutos como o ouro. O cenário reforça uma estratégia de focar na eficiência operacional para sustentar a geração de valor e manter a alavancagem em níveis considerados confortáveis pela administração.
