Uma declaração do vereador Roberto Cândido (União Brasil) durante uma sessão da Câmara Municipal de Junco do Seridó, no Sertão da Paraíba, gerou grande repercussão. O parlamentar defendeu publicamente que o prefeito do município deveria exigir que servidores contratados pela gestão votem nos candidatos apoiados pela administração local. O episódio levanta discussões sobre as relações entre emprego público e o processo eleitoral no município.
Durante seu discurso, o vereador sugeriu que o prefeito convocasse os funcionários individualmente em seu gabinete para indicar os nomes que contam com o suporte da gestão. Cândido também mencionou situações em que servidores estariam participando de atividades políticas, como o uso de bandeiras de campanha, presença em comitês e a fixação de fotos de candidatos em suas residências, sob o argumento de que aqueles que não concordam deveriam abrir mão de seus postos.
Além de sugerir a cobrança direta, o vereador afirmou que os trabalhadores que receberam uma oportunidade de emprego pela atual gestão municipal deveriam demonstrar gratidão através do voto. Segundo o parlamentar, quem obteve uma vaga por meio da administração teria o dever de reconhecer esse apoio na urna, estabelecendo uma relação direta entre a ocupação do cargo público e a escolha eleitoral do cidadão.
O município de Junco do Seridó é atualmente administrado pelo prefeito Paulo Fragoso (PSB). De acordo com dados do Sagres, sistema do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB), a prefeitura conta com 220 servidores efetivos, 182 cargos comissionados e 69 contratados por excepcional interesse público. O caso coloca em evidência o debate sobre o uso da máquina pública e a liberdade de escolha dos funcionários em períodos de eleição.

