Em uma cidade onde o crescimento imobiliário avança em velocidade acelerada e o preço da moradia sobe junto com os prédios, falar em habitação popular deixou de ser apenas uma pauta administrativa. É discutir permanência, dignidade e o direito de continuar pertencendo à própria cidade.
O Condomínio Rio Jaguaribe, no Jardim Veneza, nasce nesse cruzamento entre necessidade social e planejamento urbano. Mais do que 240 apartamentos, o empreendimento carrega a simbologia de um recomeço para centenas de famílias que convivem há anos com a insegurança habitacional.
Durante visita às obras nesta segunda-feira (18), o prefeito Leo Bezerra projetou a entrega do residencial para agosto, mês do aniversário de João Pessoa. A obra entra agora na fase de acabamento e paisagismo, enquanto a gestão municipal tenta consolidar uma política habitacional que dialogue não apenas com números, mas com inclusão e acolhimento.
Existe um detalhe importante nesse projeto que vai além da engenharia: o olhar para famílias atípicas. Apartamentos térreos adaptados, acessibilidade e espaços pensados para pessoas com deficiência e crianças autistas transformam o residencial em algo que tenta acompanhar uma discussão cada vez mais urgente nas cidades brasileiras — a de que morar também precisa significar inclusão.
Com investimento de R$ 41 milhões, em parceria com o Governo Federal através do Minha Casa, Minha Vida, o empreendimento deve receber cerca de 800 pessoas. E talvez seja exatamente aí que mora o peso político da pauta: a habitação segue sendo uma das formas mais concretas de presença do poder público na vida de quem mais precisa.
Enquanto João Pessoa se expande, o desafio da gestão municipal passa a ser outro: impedir que o desenvolvimento vire privilégio de poucos e garantir que a cidade continue cabendo em todos.
