A escassez de profissionais de engenharia pode se transformar em um grave gargalo para a execução de projetos de infraestrutura no Brasil, num momento em que o país registra uma forte expansão de investimentos e alta demanda por obras. O alerta foi emitido recentemente por Felipe Borim, superintendente de Infraestrutura do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, ao destacar que o planejamento de longo prazo é fundamental para preparar as empresas brasileiras para esse crescimento.
Segundo o representante do BNDES, o principal obstáculo atual consiste na necessidade de escalar a capacidade operativa do setor, que já avançou consideravelmente na estruturação de projetos, mas ainda precisa adequar toda a sua cadeia de fornecedores. Em entrevista concedida sobre o tema, o executivo ressaltou que a dificuldade em formar novos profissionais em tempo hábil para acompanhar o ritmo dos aportes financeiros torna a organização prévia ainda mais indispensável.
Para fazer frente a essa situação, o BNDES prevê encerrar um ciclo expressivo de financiamentos voltados à infraestrutura iniciados a partir de 2023, acumulando marcas superiores a R$ 300 bilhões em aprovações de crédito para o setor. Deste montante total, aproximadamente 80% dos recursos são liberados sem nenhum tipo de subsídio governamental, refletindo a dinâmica própria do mercado de investimentos privados e públicos atuais.
Como estratégia de adaptação diante da escassez de mão de obra especializada em grandes grupos, concessionárias rodoviárias que administram trechos extensos pelo país têm optado por contratar empresas regionais de engenharia. Essa descentralização busca incentivar e consolidar companhias locais para que fiquem mais preparadas, enquanto diferentes segmentos, como o ferroviário e o rodoviário, seguem buscando soluções para manter o ritmo das obras planejadas.
