Um estudo recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) alerta que novas tarifas avaliadas pelos Estados Unidos podem atingir cerca de 4.187 produtos brasileiros. A medida, que coloca em risco um volume anual de US$ 14,9 bilhões em exportações, baseia-se em investigações norte-americanas sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil, gerando preocupação sobre os próximos passos dessa relação bilateral.
O governo americano analisa a imposição de taxas adicionais de 25% e 12,5% sob a chamada “Seção 301” da Lei de Comércio dos EUA. Atualmente, os produtos afetados já pagam uma tarifa de 10% estabelecida pela “Seção 122”, que expira no final de julho. Caso as novas cobranças sejam aplicadas, a carga tributária sobre esses itens poderia alcançar 37,5%, afetando principalmente bens intermediários utilizados como insumos industriais.
Entre os produtos que podem ser taxados estão o ferro-gusa, açúcar de cana, álcool etílico e tabaco curado. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) alega que o Brasil adota políticas consideradas desleais em setores como serviços digitais, propriedade intelectual e combate ao desmatamento. Audiências públicas em Washington, iniciadas nesta segunda-feira (6), permitem que interessados debatam o caso antes da definição final.
O cenário atual ainda permite espaço para negociações diplomáticas entre os dois países até o dia 15 de julho, data limite para a decisão sobre as tarifas da Seção 301. Enquanto isso, uma investigação separada sobre o uso de trabalho forçado na produção também segue em curso, com audiências agendadas para esta terça-feira (7). O desfecho dessas consultas determinará se haverá um agravamento nas restrições comerciais brasileiras.
