A Ri Happy, principal rede de lojas de brinquedos do Brasil, entrou com um pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo. O objetivo da empresa é renegociar um total de R$ 827,4 milhões em dívidas com bancos e fornecedores. A medida ocorre apenas 48 dias após a mudança de controle do grupo, que agora pertence à BluSun Capital Partners e conta com o retorno de Héctor Núñez à gestão.
Para justificar o pedido, a varejista apontou uma série de dificuldades financeiras acumuladas nos últimos anos. Entre os principais motivos citados, estão os reflexos da pandemia, o cenário de juros elevados no país e a queda no volume de vendas. Além disso, a empresa destacou a pressão causada pela crescente concorrência com grandes plataformas de vendas internacionais, como Shopee e AliExpress, que alteraram o comportamento de consumo.
A crise financeira do grupo não é recente. Em 2023, a rede chegou a renegociar cerca de R$ 292 milhões em dívidas bancárias, mas a medida não foi suficiente para garantir a estabilidade do negócio. O custo anual para manter os empréstimos ativos atingiu a marca de R$ 70 milhões, o que comprometeu severamente o fluxo de caixa. Atualmente, a rede opera com 292 lojas próprias e franqueadas, além de manter um quadro de mais de 2.600 colaboradores.
O processo de recuperação judicial abrange seis empresas do grupo, incluindo a rede PBKids e unidades responsáveis por importação, distribuição e serviços de recreação. Com um faturamento anual médio de R$ 1,2 bilhão, a empresa tenta agora estruturar um novo plano de pagamento para garantir a sustentabilidade de suas operações. O desfecho dependerá da negociação com os credores nos próximos meses.
