O planeta caminha para um aquecimento catastrófico de 2,8°C até o final deste século, caso os países mantenham as políticas ambientais atuais. A projeção, apresentada em um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), revela que as medidas globais adotadas até o momento são insuficientes para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, o que traz consequências diretas para o clima mundial.
O cenário atual afasta a comunidade internacional das metas estabelecidas pelo Acordo de Paris, assinado em 2015 por quase 200 países. O objetivo principal deste tratado era limitar o aumento da temperatura média global a menos de 2°C em comparação aos níveis pré-industriais, buscando esforços para que esse incremento não ultrapassasse 1,5°C. Contudo, o novo documento da ONU indica que o mundo já não conseguirá evitar que esse limite de 1,5°C seja superado temporariamente.
Para reverter esse quadro e estabilizar as temperaturas globais até o fim do século, a ONU aponta que seria necessário reduzir as emissões de gases poluentes em 45% até o ano de 2035. Atualmente, os compromissos climáticos assumidos pelos governos preveem uma redução de apenas 11% a 15% para o mesmo período, evidenciando uma lacuna significativa entre o que foi prometido e o que é efetivamente planejado.
Embora a ultrapassagem do limite de 1,5°C seja considerada inevitável neste momento, especialistas ressaltam que ainda existe uma janela de oportunidade. A possibilidade de retornar a patamares mais baixos de temperatura depende de ações drásticas e imediatas nas próximas décadas. O cenário global permanece sob observação, com a necessidade de um compromisso mais robusto das nações para evitar os efeitos mais severos das mudanças climáticas.
